quarta-feira, 12 de março de 2014

DRs: Órgãos, origens e clados

Para visualizar melhor aspectos fundamentais da taxonomia, os biólogos utilizam cladogramas (do grego, klados = galho, ramo e gramma = escrito), um esquema como o abaixo:


No cladograma as espécies são ordenadas de forma que quanto mais à direita no esquema, maior o grau de evolução, e quanto mais para baixo, mais antiga a origem do ser (observar o tempo em milhões de anos atrás). O cladograma é muito útil pois mostra, em uma única imagem, as origens evolutivas das espécies determinadas, o parentesco entre elas, os ancestrais comuns e a idade deles. Cada divisão, ou seja, um ponto onde um clado se divide para formar outros dois ou mais, chama-se .

Comparando duas ou mais espécies diferentes, podemos estabelecer algumas relações entre elas. Órgãos homólogos são aqueles que têm a mesma origem embriológica, como a asa do morcego e a asa da águia. Órgãos análogos, por sua vez, são aqueles que desempenham a mesma função, porém têm origem embriológica diferente, como a asa de vertebrados e a asa de invertebrados - embora ambos os órgãos façam o ser voar, as asas de um pombo e as de uma borboleta são formadas em uma etapa diferente do desenvolvimento embriológico.

Em cada nó, há o surgimento de uma nova característica, o que gera a diferença entre as espécies. Uma apomorfia é uma característica nova de um grupo de seres vivos. Já uma plesiomorfia é uma característica antiga de determinada espécie com relação a outra. Exemplo: os placodermos são os primeiros peixes a apresentarem mandíbula, logo, a presença de mandíbula é uma apomorfia dos placodermos, já que os ostracodermos e seus ancestrais mais antigos não a possuíam, ela é uma inovação biológica; já a presença de mandíbulas nos mamíferos é uma plesiomorfia, pois outros seres vivos que vieram antes deles já possuíam essa característica (ver o cladograma acima).

Anagênese é o processo evolutivo em que uma única espécie vai sofrendo mutações positivas para a sua adaptação de tal modo que, no final, ela some e há o surgimento de uma única nova espécie. Cladogênese é o processo em que uma única espécie gera duas ou mais espécies distintas entre si, seja por uma separação territorial forçada ou adaptação ao ambiente.

Origem monofilética designa origem de uma só espécie; um grupo de seres vivos, ao ser comparado, pode ter origem monofilética.

quarta-feira, 5 de março de 2014

História Viva: Sangue vermelho, classificações e infertilidade

Como a criatura mais curiosa existente, o ser humano não se contém em simplesmente observar a vida ao seu redor. Há uma necessidade de classificar, analisar e sistematizar, tornando assim seus estudos mais organizados e objetivos.

Embora a ciência como um todo só tenha se desenvolvido plenamente nos últimos séculos, a preocupação com essa classificação - que hoje nós chamamos de taxonomia (do grego, taxo = colocar junto e nomos = leis, regras) - já existia na Grécia Antiga. Para os filósofos gregos, principalmente Platão, o ideal era mais importante do que o que se via de verdade, criando a classificação de espécie (do grego, eidos = ideia); Aristóteles, seu discípulo, iniciou um pensamento contrário, voltando-se para o real e utilizando não só a espécie de seu mestre como a classificação em gênero. No século III a.C., Aristóteles fez a primeira tentativa no propósito de classificar os seres vivos, dividindo todas as espécies entre as que têm sangue vermelho e as que não têm. Claro que faltava praticidade e mais objetividade nessa classificação.

Capa do livro "Systema Naturae",
de Lineu.
Somente no século XVII d.C. que se tem uma continuidade do trabalho iniciado na era Clássica, com o desenvolvimento do conceito de espécie que John Ray utilizou emprestado dos gregos. Em 1735, Carl von Linné (ou Lineu), em sua obra "Systema Naturae", põe em jogo a ideia de três reinos: animal, vegetal e mineral. Há também o aparecimento de uma divisão mais detalhada em classes, ordens, gêneros e espécies, baseada em características genéticas, morfofisiológicas e evolutivas. Graças a toda essa contribuição, Lineu é considerado o pai da taxonomia moderna.

Atualmente, classificamos os seres vivos em reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie, as categorias taxonômicas.

A espécie é a unidade mais específica de classificação dos seres vivos, e os agrupa com base em semelhanças anatômicas, cromossômicas, fisiológicas e de desenvolvimento embrionário. Porém, uma outra característica se faz muito importante: o cruzamento de dois animais da mesma espécie deve originar um animal fértil. Percebia-se que, ao cruzar a égua e o jumento, por exemplo, o burro resultante era infértil, não podendo dar continuidade à espécie e à essa união. Logo, conclui-se que os progenitores não eram da mesma espécie.

Fonte da imagem: http://commons.wikimedia.org/