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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Relações de Vida: A Custosa Reprodução e a Piracema

Um dos comportamentos mais fascinantes nos seres vivos é a chamada piracema dos peixes. Piracema é quando alguns peixes, para a sua reprodução, sobem rios contra a correnteza até a nascente, onde ocorre a desova.

A subida de rios por alguns peixes na piracema.
Esse é um árduo processo de reprodução e mostra a magnitude da vida. O fenômeno ocorre sempre na mesma época do ano, e o peixe sabe o momento certo dele através da glândula hipófise, que comanda o processo de reprodução. Diversos fatores, como a temperatura da água, a duração das horas de luz no dia, o aumento do nível da água pelas chuvas, estimulam a hipófise, que alerta o animal da hora da reprodução.

Começa, então, a última parte da vida do peixe. A longa jornada rio acima, que varia de espécie para espécie (algumas podem entrar até 500 km no leito dos rios), é realizada através de um intenso esforço  físico. No fim do processo, o animal morre de exaustão, liberando os ovos na correnteza, que são fecundados e aos poucos vão descendo o rio, conforme crescem. Na próxima cheia, os peixes jovens chegam ao mar, onde depois de seu ciclo de vida irão repetir a piracema.

O grande problema ambiental sobre a piracema hoje não é mais a pesca desmedida. Embora ela continua ocorrendo e seja fatal para a manutenção da biodiversidade marítima, já há várias punições à pesca na piracema, onde o grande ajuntamento de peixes provoca uma pesca rentável. Barragens que são construídas todo ano são um grande problema para a realização da piracema, pois o peixe não consegue prosseguir na sua jornada e morre antes do tempo.

Fonte da imagem: www.ouroeste.com

terça-feira, 13 de maio de 2014

Relações de Vida: Peixe-Palhaço, Anêmona e o Mutualismo

O peixe-palhaço convivendo com uma anêmona.
Os cnidários são seres vivos que podem dar uma sensação urticante a quem se aproximar deles - característica essa tão importante, que o próprio nome do grupo nos remete a isso (do grego knidos, urticante). Isso deve-se ao mecanismo de defesa desses animais: ao sentirem-se ameaçados, os cnidários abrem uma cápsula especial chamada nematocisto, que fica nos cnidócitos, que libera uma espécie de arpão. Quando o arpão entra na pele de outro ser, libera toxinas que causam essa incômoda sensação.

O peixe-palhaço é um peixe tropical de água do mar que mede em torno de 6 a 15 cm de comprimento. Ele é facilmente identificado pelas suas cores brilhantes características, normalmente oscilando entre o amarelo e o laranja, com faixas brancas e contornos pretos. Uma característica muito interessante no peixe-palhaço é que ele possui um muco protetor em volta de sua pele, que faz com que as toxinas dos têntaculos das anêmonas (uma espécie de cnidário que se alimenta de pequenos peixes) não o afetem (o que faz com que as anêmonas não possam capturá-los).

Assim, anêmona e peixe-palhaço podem conviver juntos sem problemas maiores. Mas a sua relação não se restringe a isso; o peixe-palhaço pode esconder-se na anêmona para fugir de seus predadores, enquanto ele limpa o cnidário, retirando parasitas de seu corpo. Ambos vivem em uma relação que as duas espécies se beneficiam, o mutualismo. Desse modo, podemos encontrar em diversos corais um "harém" de peixes-palhaço, em que há uma fêmea, um macho reprodutor (o maior que tiver) e outros machos menores. Se a fêmea morre, o macho reprodutor transforma-se na fêmea num processo chamado protandria, e o maior dos machos assume a função reprodutora.

Fonte da imagem: http://jornalggn.com.br/