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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Parasitas & Doenças: As cobras peçonhentas e as não



Algumas características diferenciam as serpentes peçonhentas (que possuem veneno na saliva para o ataque de presas) e as não-peçonhentas. O conjunto delas é extremamente importante na hora de determinar se o ataque de uma cobra pode ser fatal ou não.

Forma da cabeça
Peçonhentas: triangular e bem destacada
Cascavel, uma serpente peçonhenta.
Não-Peçonhentas: ovalada e pouco destacada

Pupilas
Peçonhentas: fenda vertical
Não-Peçonhentas: circulares

Fossetas
Peçonhentas: presentes
Não-peçonhentas: ausentes

Escamas
Peçonhentas: pequenas, pontudas e ásperas
Não-peçonhentas: grandes, achatadas, lisas e lubrificadas

Cauda
Peçonhentas: curta e afina bruscamente
Não-peçonhentas: longa e afina aos poucos

Hábito
Peçonhentas: noturno
Não-peçonhentas: diurno

Comportamento
Peçonhentas: lentas; se atacadas reagem
Não-peçonhentas: rápidas; se atacadas fogem

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Parasitas & Doenças: As aranhas e o seu veneno

A aranha-armadeira, considerada a do veneno mais fatal.

A maioria das aranhas, animais do filo dos artrópodes, possui veneno na saliva, que é liberado quando o animal se sente ameaçado e pica. De todos os grupos de aranhas já descobertos, somente dois não apresentam veneno. Embora grande parte desses seres só possua venenos que fazem pouco mal para o ser humano, alguns podem ser extremamente graves.

Há casos em que tarântulas-ornamentais já fizeram vítimas entrarem em coma. O veneno das aranhas-chinesas é capaz de matar pequenos mamíferos e crianças. Aranhas-das-costas-vermelhas já mataram várias pessoas, e estão entre os sintomas tontura, forte dor de cabeça, tremor e vômito. A popular viúva-negra possui uma picada além de fatal, muito dolorosa. As picadas da aranha-de-areia produzem necrose do tecido cutâneo e sangramento pelos orifícios do corpo, podendo levar a óbito.

O veneno considerado o mais fatal é encontrado nas aranhas-armadeiras, que são comuns no Brasil. Somente 0,006 mg da substância é capaz de matar um rato. Possuem um corpo de em média 5 cm e patas de até 17 cm. Embora milhares de casos de picada dessa aranha já tenham sido registrados no país, são raríssimas as mortes, pois os antídotos são comuns e eficazes.

Fonte da imagem: www.aprenda.bio.br

Parasitas & Doenças: A sanguessuga e a sangria

As sanguessugas (Hirudo medicinalis) são animais do filo dos anelídeos, e correspondem a um dos mais curiosos seres vivos. Sua característica de grudar-se ao corpo humano e sugar o sangue do hóspede já foi muito utilizada na medicina, para fazer sangria, no passado. Incrivelmente, os resultados mostravam-se benéficos. No século XX, essa prática foi abandonada com as pesquisas científicas e o crescimento da medicina.

Uma sanguessuga na pele humana.
Ultimamente, têm sido feitas pesquisas com a sanguessuga e as descobertas são surpreendentes. A sua saliva ajudava os doentes no passado pois possui hirudina, um anticoagulante muito forte; um vasodilatador, aumentando o fluxo sanguíneo local; um anticicatrizante (hialuronidase), mantendo o sangue vertendo na mordida; e um anestésico local. Tudo isso faz com que o tratamento com sanguessugas seja uma opção para a trombose e as microcirurgias reconstrutoras de artérias e veias depois de uma amputação.

A sanguessuga também é utilizada na área de pesquisa laboratorial para a criação de substâncias com propriedades de anticoagulantes, como a trombina. Hoje em dia, suas aplicações chegam até a cirurgias plásticas, para a retirada de sangue acumulado.

Fonte da imagem: www.movemontanhas.com.br

sábado, 24 de maio de 2014

Parasitas & Doenças: Uma Questão Social

O texto a seguir foi extraído do livro "Biologia Hoje - Os Seres Vivos", de Sérgio Linhares e Fernando Gewandsznajder.

"No mundo, mais de 2 bilhões de pessoas vivem em lugares sem rede de esgoto ou acesso à água tratada, ou seja, sem saneamento básico, e 80% das mortes por doença nos países pobres são causadas pela falta de acesso da população à água adequada para consumo.

Região anterior de ancilóstomo.
E o Brasil, infelizmente, também participa dessas estatísticas, pois nem todas as moradias do país dispõem de abastecimento de água tratada, e muitas não estão ligadas à rede de esgotos nem contam com fossas sépticas. Além disso, a maior parte do esgoto coletado em território nacional, cerca de 80% do volume total, não recebe nenhum tipo de tratamento antes de ser lançado em rios, lagos e mares.

Entre os principais problemas de saúde relacionados à falta de saneamento básico estão as verminoses, cuja erradicação [...] depende de melhorias no saneamento básico e nas condições de vida das populações mais pobres. Trata-se, portanto, de um problema social, e não apenas um problema médico.

Uma das verminoses mais comuns entre nós, sobretudo nas áreas rurais, é o popular amarelão, parasitose intestinal em que ocorre perda de sangue e anemia e que se deve ao Ancylostoma duodenale, um nematódeo[...]."

Fonte da imagem: bioblogc.blogspot.com

domingo, 18 de maio de 2014

Parasitas & Doenças: A tênia e a teníase suína

A teníase é a doença causada em seres humanos pelo platelminto parasita Taenia solium, que pode levar a uma doença ainda mais grave, a cisticercose humana, que pode atacar o cérebro e gerar a morte do indivíduo.

O ciclo de vida da tênia é parasitário, ou seja, ela precisa estar em outro ser vivo para sobreviver, utilizando as funções do hospedeiro para a sua alimentação, o que gera um ônus ao ser afetado. O hospedeiro definitivo da tênia é o homem, em que o parasita no estado adulto se instala no intestino delgado. Como as tênias são hermafroditas e possuem estruturas para autofecundação, não precisam de um parceiro para a reprodução. Os últimos anéis do platelminto (ou proglótides) são responsáveis pela perpetuação da espécie, que ocorre de maneira extremamente eficiente, com a liberação de 30 a 80 mil ovos por proglote; esses anéis já fecundados se desprendem da tênia periodicamente e saem com as fezes do ser humano.
Ciclo de vida da tênia suína.

As fezes do homem contaminado, por outro lado, são comidas pelo porco (o hospedeiro intermediário), que é coprófago, e junto com elas estão os ovos da tênia ou os proglótides grávidos. Dentro do intestino do animal, os embriões saem dos ovos, perfuram a parede intestinal através de seis ganchos e entram na circulação sanguínea; então, alcançam os músculos e o fígado do porco. Nessa fase, os embriões crescem e transformam-se em larvas (ou cisticercos), que têm a cabeça (ou escólex) envolta por uma vesícula e são semelhantes a ervilhas de cor esbranquiçada.

Se a carne suína não é bem cozida, os cisticercos continuam vivos quando o homem a ingere. Na digestão do alimento, as vesículas são decompostas e o escólex fica livre para fixar-se nas paredes intestinais humanas com seus ganchos, de onde vai tirar seu alimento em um modo de vida parasitário. Então, começa todo o ciclo novamente.

O período de incubação varia de 1 a 35 dias, mas os sintomas podem manifestar-se somente 2 a 5 anos após a infecção.

Fonte da imagem: www.coladaweb.com

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Parasitas & Doenças: O plasmódio e a malária

A malária é uma doença provocada por protozoários de gênero Plasmodium. Existem mais de cem tipos de parasitas da malária, sendo os principais Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum, Plasmodium malarie e Plasmodium ovale; a doença causada pelo vivax é a mais comum, e a pelo falciparum, a mais letal. O protozoário é transmitido pela picada de mosquitos do gênero Anopheles, além de por transfusão de sangue contaminado, seringas infectadas e através da placenta para o feto.

O ciclo da malária humana é homem-anofelino-homem. Os mosquitos macho se alimentam de néctar, porém as fêmeas necessitam de sangue para o amadurecimento dos ovos; ao ingerirem sangue de um indivíduo contaminado contendo as formas sexuadas do parasita tem início uma fase de reprodução sexuada no estômago do inseto, culminando na proliferação do protozoário na glândula salivar.

Mosquito Anopheles darlingi, principal vetor da malária
 no Brasil.
O mosquito então pica outro humano, injetando sua saliva contaminada, que contém anticoagulante. Em um período de cerca de 30 minutos, o plasmódio infecta o fígado, se reproduzindo assexuadamente até arrebentar as células, liberando toxinas e elevando a temperatura (febre); então o parasita vai para o sangue e contamina as hemáceas. Lá, há uma maior reprodução, que resulta na lise dos glóbulos vermelhos; a cada lise, mais células são infectadas.

Os sintomas mais comuns envolvem febre alta, calafrios intensos alternados por ondas de calor e suor abundante, dor de cabeça e no corpo, falta de apetite, pele amarelada e cansaço. Geralmente, os sintomas se repetem a cada dois ou três dias (coincidindo com a lise das hemáceas), período em que o hospedeiro se sente bem; por isso, a malária também é chamada de febre terçã.

O mosquito vetor da doença varia de espécie conforme a região, porém sempre sendo Anopheles. Como o plasmódio necessita de um tempo mínimo para se desenvolver no vetor, a malária ocorre em regiões tropicais e sub-tropicais, onde as temperaturas mais altas garantem um tempo de vida maior para o mosquito. Embora o principal hospedeiro seja o homem, a doença pode contaminar outros animais.

As medidas profiláticas envolvem o combate ao mosquito, uso de repelente e evitar banhos em igarapés e lagoas ao anoitecer e ao amanhecer. O tratamento indicado é feito por via oral com o uso de medicamentos como o quinino e a artemisina.